Esperança e Espera

De outro lado, se soubermos administrar o tempo, saberemos viver cada instante como o único ou último, extraindo dele o sumo da vivência em atenção plena. Viveremos a plenitude do aprender, já que estaremos focados no momento, sem deixar escapar as coisas boas: as manifestações de amor, a paz, o prazer, a admiração da beleza. Se o instante for pleno, estaremos nele de corpo e alma. Ou melhor, se estivermos no instante de corpo e alma, sempre ele será pleno. E não estaremos esquecendo dele ou fugindo dele na espera do futuro, não estaremos preocupados com o passado, medrosos de que se repita ou desejosos de que venha novamente o que ele teve de melhor. Perceberemos que o melhor é o que está presente, diante de nós, aqui, onde estamos, onde devemos colocar nosso coração. Assim, passaremos ao largo dos pessimismos ou dos fanatismos enlouquecidos, compreendendo que tudo tem o seu tempo, e que nada, absolutamente nada, vem para ficar.
A felicidade está em sabermos passar com o que passa, contribuindo para que passe, já que a mudança é que faz o jogo. Nada impede que queiramos o novo e o diferente, desde que esta vontade de ir para a frente não nos impeça de trabalhar no aqui e no agora. Pois quando o tempo parece retroceder, e as coisas parecem se desfazer em vez de avançarem, não cabe ficar lamentando, já que o que pode ser feito devemos estar fazendo agora. Daí o segredo de administrar o tempo: ter memória sem ter saudosismo, ter esperança sem ficar esperando, estar presente sempre. De outro jeito as coisas não se ajustam, já que o tempo é feito de momentos contraditórios, sucessivos ou não.
Assim é, e assim será. Sou, e se deixar de ser, continuarei sendo. Pois que os tempos são relativos, e todo o passado e todo o futuro está agora.